ABB acelera após ano recorde: encomendas disparam, margem sobe e 2026 aponta para 6–9% de crescimento
Aqui pode acompanhar as últimas informações relacionadas com a ABB. Acompanhamos de forma contínua os desenvolvimentos mais relevantes que impactam esta empresa e consolidamos os pontos essenciais num formato que oferece uma visão clara, objetiva e alinhada com a nossa análise.
Strategic Highlights
- A ABB registou encomendas recorde no 4.º trimestre, +36% para 10,32 mil milhões de dólares, impulsionando uma reação positiva do mercado (+9,6% nas ações no dia dos resultados).
- Em 2025, a empresa alcançou máximos históricos: 36,77 mil milhões USD em encomendas, 33,22 mil milhões USD em receitas e margem operacional EBITA de 19%.
- O EBITA operacional do 4.º trimestre cresceu 19% para 1,58 mil milhões USD, acima do consenso (1,54 mil milhões), com receitas trimestrais de 9,05 mil milhões USD (+13%).
- Para 2026, a ABB projeta crescimento comparável de receitas de 6–9% e melhoria adicional de margem.
- A empresa já tinha mantido anteriormente a meta de crescimento anual de 5–7% (+1–2% via aquisições), o que foi visto como conservador, apesar de ter elevado o objetivo de margem EBITA para 18–22% (vs. 16–19% anteriormente).
Nota de Contexto
A ABB é um grupo suíço de engenharia especializado em eletrificação, automação industrial, motores e sistemas energéticos, com forte exposição a infraestruturas críticas, indústrias pesadas e, mais recentemente, à expansão de data centers ligados à inteligência artificial. A empresa encontra-se num processo de simplificação estratégica, incluindo a alienação da divisão de robótica, reforçando o foco em segmentos de maior margem e crescimento estrutural.
1) De “guidance conservador” a resultados recorde
Em novembro de 2025, a ABB desiludiu parcialmente o mercado ao manter inalterada a sua meta de crescimento anual de receitas em 5–7%, acrescida de 1–2% via aquisições. Num contexto em que concorrentes como a Siemens tinham elevado ambições (6–9%), a postura foi interpretada como prudente, e as ações reagiram com uma queda de 4% no dia.
Contudo, a empresa compensou essa prudência com uma mensagem mais agressiva na rentabilidade, elevando o objetivo de margem EBITA para 18–22%, acima da meta anterior de 16–19%.
Dois meses depois, os resultados de janeiro alteram o equilíbrio da narrativa: os números confirmam que o conservadorismo do “top line” não impediu um desempenho operacional robusto, pelo contrário, 2025 foi um ano recorde.
2) 2025: máximos históricos em encomendas, receitas e margem
Os números consolidados de 2025 mostram uma empresa a beneficiar claramente das megatendências de eletrificação e digitalização:
- Encomendas: 36,77 mil milhões USD
- Receitas: 33,22 mil milhões USD
- Margem EBITA operacional: 19%
O 4.º trimestre foi particularmente forte:
- Encomendas: +36% para 10,32 mil milhões USD
- Receitas: +13% para 9,05 mil milhões USD
- EBITA operacional: +19% para 1,58 mil milhões USD (acima do consenso de 1,54 mil milhões)
O mercado reagiu de forma inequívoca: as ações subiram 9,6%, tornando-se o melhor desempenho no índice europeu industrial no dia da divulgação.
3) O motor estrutural: IA e data centers
Um dos vetores estratégicos centrais é a exposição à infraestrutura energética para data centers de nova geração, em parceria com empresas como a Nvidia para desenvolver sistemas elétricos dedicados a centros de dados de IA.
Atualmente, o negócio ligado a data centers representa cerca de 9% das receitas do grupo, uma proporção já relevante e com potencial de crescimento, dado o ciclo global de investimento em computação intensiva.
A narrativa do CEO Morten Wierod reforça a natureza estrutural da tendência: a eletrificação não é cíclica de curto prazo, mas uma transformação de longo prazo, o que permite às empresas manter investimentos mesmo num ambiente geopolítico volátil.
4) Outlook 2026: aceleração alinhada com concorrência
Para 2026, a ABB aponta para crescimento comparável de receitas de 6–9%, alinhando-se agora com a faixa superior do setor e superando implicitamente o tom mais cauteloso de novembro.
Além disso, prevê melhoria adicional na margem EBITA, sugerindo que:
- o mix de produto está a melhorar (mais eletrificação/automação avançada);
- a alavancagem operacional está a funcionar;
- e a disciplina de custos permanece sólida.
Este ponto é crítico: crescer 6–9% com margem em expansão significa que a ABB não está apenas a beneficiar de volume, mas também a capturar valor.
5) Política de capital: dividendos, buyback e investimento estratégico
A empresa propôs:
- Dividendo de 0,94 francos suíços por ação (vs. 0,90 anteriormente);
- Novo programa de recompra de ações até 2 mil milhões USD.
Simultaneamente, anunciou investimento de 80 milhões de francos suíços numa nova sede em Zurique, com abertura prevista para 2031, sinalizando confiança estrutural e estabilidade financeira.
Este equilíbrio entre retorno ao acionista e investimento de longo prazo reforça a mensagem de solidez do balanço.
6) Simplificação estratégica: saída da robótica
Os resultados reportados excluem a contribuição da divisão de robótica, que está a ser alienada.
A venda reforça o foco em:
- eletrificação,
- automação industrial,
- soluções energéticas para infraestruturas críticas.
Esta simplificação reduz complexidade operacional e concentra capital nos segmentos com maior visibilidade de crescimento estrutural.
Conclusão
A ABB atravessou dois momentos distintos em poucos meses: primeiro, um mercado frustrado com metas de crescimento aparentemente conservadoras; depois, um conjunto de resultados recorde que validam a estratégia e reposicionam a empresa como beneficiária clara do ciclo de eletrificação e IA.
Com 36,77 mil milhões USD em encomendas anuais, margem de 19%, crescimento trimestral robusto e orientação de 6–9% para 2026, a empresa demonstra que consegue conjugar crescimento e rentabilidade num ambiente geopolítico incerto. A exposição crescente a data centers (já 9% das receitas) acrescenta uma camada estrutural à tese.
O desafio para os investidores não é agora a falta de crescimento, mas a sustentabilidade da aceleração num contexto de expectativas já elevadas. Se a ABB continuar a expandir margem ao mesmo tempo que capta a vaga de investimento em energia e automação, o perfil de risco-retorno permanece favorável, mas com menor margem para desapontamentos do que no período em que o mercado via a empresa como excessivamente conservadora.
Visite o Disclaimer para mais informações.
Os valores encontram-se em sistema métrico europeu.
(Artigo sobre a ABB, formato “News”, atualizado com informações até 26 de Fevereiro de 2026. Categorias: Indústria – Outros. Classe de Ativos: Ações. Tags: Acionista, ABB, Earnings, Suíça, Equipamentos Industriais, Indústria – Outros, Infraestruturas, Robótica)