Brasil entra em 2026 com inflação sob controlo e mercado de trabalho forte, mas política monetária e risco externo mantêm-se centrais
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Strategic Highlights – 13 Janeiro 2026
- Inflação anual fecha 2025 em 4,26%, dentro do intervalo-alvo do Banco Central (3% ±1,5 pp), antecipando expectativas de cortes de juros.
- Taxa de desemprego cai para 5,2%, o nível mais baixo desde o início da série em 2012, confirmando resiliência do mercado laboral.
- Taxa Selic permanece em 15%, com consenso a apontar para o primeiro corte em março de 2026, embora janeiro não esteja totalmente excluído.
- Investimento direto estrangeiro atinge 84,2 mil milhões USD em 2025, superando largamente a projeção oficial e cobrindo o défice externo.
- Risco político e comercial com os EUA persiste, apesar de avanços parciais na redução de tarifas sobre exportações brasileiras.
Nota de Contexto
O Brasil entra em 2026 após um período de forte aperto monetário, com a taxa de juro de referência no nível mais elevado em quase duas décadas. O Banco Central do Brasil mantém como prioridade absoluta a convergência da inflação para o centro da meta de 3%, num contexto de mercado de trabalho apertado e elevada sensibilidade política em ano pré-eleitoral.
Externamente, o país continua exposto à relação comercial com os Estados Unidos, marcada por avanços pontuais, mas também por medidas protecionistas seletivas que afetam sectores-chave das exportações.
Inflação: surpresa positiva acelera debate sobre cortes de juros
A inflação medida pelo IPCA terminou 2025 em 4,26%, abaixo das expectativas do mercado e das próprias projeções do Banco Central feitas no verão. O dado representa uma melhoria significativa face a 2024, quando a inflação ultrapassou de forma consistente o limite superior do intervalo-alvo.
Fatores determinantes:
- Desaceleração dos combustíveis, beneficiando de moeda mais forte e preços internacionais mais baixos;
- Melhoria das expectativas de curto prazo;
- Impacto pleno de um ciclo de aperto monetário de 450 pontos base, que levou a Selic a 15%.
Em dezembro, a inflação mensal ficou em 0,33%, ligeiramente abaixo do consenso, reforçando a leitura de que o processo de desinflação ganhou tração mais cedo do que o antecipado.
Política monetária: prudência oficial, pressão política crescente
Apesar da melhoria dos dados, o Banco Central mantém um discurso cauteloso. A autoridade monetária insiste que a convergência para o centro da meta (3%) exige evidência mais prolongada de desaceleração, sobretudo nos serviços, ainda pressionados por um mercado de trabalho apertado.
O cenário de base do mercado aponta para:
- Primeiro corte de juros em março de 2026;
- Possibilidade residual de corte já na reunião de janeiro, caso os próximos dados confirmem a tendência.
Do lado político, o governo tem sido mais vocal. O Ministério das Finanças afirma existir “espaço para cortes”, embora reconheça formalmente a independência do Banco Central. Esta tensão institucional deverá intensificar-se à medida que 2026 avança.
Mercado de trabalho: força estrutural, mas risco inflacionista
O mercado laboral permanece um dos pilares da economia brasileira:
- Desemprego em 5,2% no período setembro–novembro;
- Criação líquida de 85.864 empregos formais em novembro, acima das expectativas.
Esta resiliência sustenta o consumo interno e ajuda a explicar a robustez da atividade económica, mas é também vista pelo Banco Central como um fator de risco para a inflação de serviços, limitando a margem para um ciclo de cortes agressivo.
Investimento externo compensa desequilíbrio externo
O investimento direto estrangeiro (FDI) foi um dos pontos mais positivos de 2025:
- 84,2 mil milhões USD acumulados até novembro, +14% em termos homólogos;
- Valor já superior à projeção oficial de 75 mil milhões USD para o ano completo;
- Equivalente a 3,76% do PIB, cobrindo integralmente um défice da conta corrente de 3,47% do PIB.
Este desempenho reforça a perceção de que, apesar do ruído político, o Brasil continua atrativo para investimento produtivo, sobretudo em energia, infraestruturas e indústria ligada a commodities.
Relação com os EUA: avanços táticos, risco estrutural
No plano externo, a relação com os Estados Unidos continua ambígua:
- Remoção parcial de tarifas sobre produtos alimentares como café e carne foi recebida como positiva;
- No entanto, tarifas elevadas mantêm-se sobre exportações brasileiras-chave, prejudicando competitividade em sectores como o café.
O diálogo direto entre Lula e Donald Trump ajudou a reduzir tensões imediatas, mas não eliminou o risco de novas medidas unilaterais, mantendo um prémio de incerteza sobre o comércio externo.
Implicações macroeconómicas
O enquadramento atual sugere:
- Janela para início de flexibilização monetária em 2026, ainda que gradual;
- Crescimento sustentado pelo consumo e investimento, mas condicionado por juros elevados;
- Vulnerabilidade a choques políticos e comerciais externos.
Para os mercados, o principal risco já não é a inflação fora de controlo, mas sim o ritmo e a credibilidade do ciclo de cortes de juros num ambiente político sensível.
Conclusão
O Brasil entra em 2026 numa posição macroeconómica mais equilibrada do que há um ano. A inflação regressou ao intervalo-alvo, o mercado de trabalho permanece robusto e o investimento estrangeiro surpreende pela positiva. Estes fatores criam espaço para uma viragem gradual da política monetária.
Ainda assim, o caminho será cauteloso. A combinação de juros elevados, mercado laboral apertado e risco político externo obriga o Banco Central a avançar com prudência. Para investidores, o Brasil oferece uma narrativa de melhoria macro, mas continua a exigir atenção redobrada à execução da política monetária e ao enquadramento geopolítico.
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Os valores encontram-se em sistema métrico europeu.
(Artigo sobre o PIB do Brasil, formato “Geral”, atualizado com informações até 07 de Fevereiro de 2026. Categoria: Economia. Classe de Ativos: N/A Tags: Economia, Brasil, America do Sul)