ConocoPhillips falha estimativas no quarto trimestre e anuncia corte de custos de 1 mil milhão de dólares para 2026
Aqui pode acompanhar as últimas informações relacionadas com a ConocoPhillips. Acompanhamos de forma contínua os desenvolvimentos mais relevantes que impactam esta empresa e consolidamos os pontos essenciais num formato que oferece uma visão clara, objetiva e alinhada com a nossa análise.
Strategic Highlights
- ConocoPhillips reportou lucro ajustado de 1,02 dólares por ação no quarto trimestre, abaixo da estimativa de mercado de 1,11 dólares.
- A empresa recebeu um preço médio de 42,46 dólares por barril equivalente de petróleo, uma queda de 19% face ao ano anterior.
- A produção trimestral atingiu 2,320 milhões de barris equivalentes por dia, representando um crescimento de 6,3% em termos anuais.
- A empresa pretende reduzir 1 mil milhão de dólares em despesas de capital e operacionais em 2026, mantendo a política de devolver 45% do cash flow operacional aos acionistas.
- ConocoPhillips concluiu 3,2 mil milhões de dólares em vendas de ativos em 2025 e mantém a meta de atingir 5 mil milhões até ao final de 2026.
Nota de Contexto
A ConocoPhillips é a maior empresa independente de exploração e produção de petróleo e gás nos Estados Unidos. Ao contrário das grandes majors integradas, a companhia opera essencialmente no segmento upstream, concentrando-se na exploração e produção de hidrocarbonetos e não possuindo operações significativas de refinação ou distribuição. Esta estrutura torna os resultados mais sensíveis à volatilidade dos preços do crude, uma vez que não dispõe do efeito amortecedor proporcionado pelas margens do refino.
Os resultados divulgados referem-se ao quarto trimestre civil de 2025, encerrado a 31 de dezembro.
Resultados trimestrais pressionados pela queda do petróleo
A ConocoPhillips apresentou resultados abaixo das expectativas do mercado no último trimestre de 2025, refletindo sobretudo o impacto da descida dos preços do petróleo ao longo do período.
- Lucro ajustado: 1,02 dólares por ação
- Estimativa média dos analistas: 1,11 dólares por ação
A pressão sobre a rentabilidade foi amplificada pela exposição direta da empresa ao preço do crude. Ao contrário de algumas concorrentes, a ConocoPhillips não realiza cobertura significativa (hedging) da produção, o que aumenta a sensibilidade dos resultados às flutuações do mercado energético.
Durante o trimestre, o preço médio realizado pela empresa foi de 42,46 dólares por barril equivalente de petróleo, representando uma descida de 19% face ao mesmo período do ano anterior.
O contexto global do mercado também contribuiu para este ambiente adverso. O Brent, principal referência internacional do crude, registou uma média de 63,13 dólares por barril entre outubro e dezembro, cerca de 11,3% abaixo do nível observado um ano antes, num cenário marcado por receios de excesso de oferta e tensões comerciais.
Produção cresce apesar do ambiente de preços
Apesar da pressão sobre os preços, a empresa conseguiu aumentar o volume de produção, evidenciando o impacto de novos projetos e da integração de ativos adquiridos.
- Produção no trimestre: 2,320 milhões de barris equivalentes por dia (boepd)
- Variação anual: +6,3%
Este crescimento reflete sobretudo a expansão de operações e ganhos de escala após aquisições recentes, reforçando a base produtiva da empresa.
Para 2026, a administração prevê uma produção média entre:
- 2,33 milhões e 2,36 milhões de boepd
A orientação indica uma estratégia de crescimento moderado, equilibrando expansão com disciplina de capital num ambiente de preços ainda incerto.
Programa de redução de custos após integração da Marathon Oil
Perante o atual ciclo de preços, a ConocoPhillips anunciou um novo programa de eficiência operacional.
O objetivo passa por reduzir 1 mil milhão de dólares em despesas de capital e custos operacionais em 2026. Segundo a administração, esta iniciativa surge na sequência das sinergias obtidas após a aquisição da Marathon Oil, operação avaliada em 22,5 mil milhões de dólares.
A empresa já capturou mais de 1 mil milhão de dólares em sinergias recorrentes em 2025, sugerindo que ainda existe margem adicional para otimização da estrutura de custos.
Esta estratégia insere-se numa tendência mais ampla no setor energético, onde vários produtores têm adotado políticas de disciplina financeira e redução de despesas perante a volatilidade do mercado petrolífero.
Desinvestimentos e reestruturação
Em paralelo com a redução de custos, a empresa está a racionalizar o portefólio de ativos.
- Vendas de ativos concluídas em 2025: 3,2 mil milhões de dólares
- Meta total de desinvestimentos: 5 mil milhões de dólares até ao final de 2026
O objetivo é concentrar capital em projetos considerados estratégicos e com maior retorno.
A reestruturação inclui também medidas na estrutura organizacional. A empresa já indicou planos para reduzir a força de trabalho entre 20% e 25%, numa tentativa de alinhar custos operacionais com a nova escala do negócio após as recentes aquisições.
Política de retorno aos acionistas
Apesar do ambiente mais desafiante, a ConocoPhillips mantém uma política agressiva de remuneração dos acionistas.
A empresa pretende distribuir cerca de 45% do cash flow operacional aos investidores, reforçando dividendos e recompra de ações sempre que a geração de caixa o permita.
Contudo, alguns analistas continuam atentos ao momento em que a empresa poderá atingir uma inflexão significativa no free cash flow, bem como à forma como a posição de caixa será utilizada para equilibrar crescimento, desalavancagem e retornos aos acionistas.
Questões legais relacionadas com a Venezuela
A administração também confirmou que continua empenhada em recuperar valores associados a decisões arbitrais internacionais relacionadas com ativos na Venezuela.
A empresa era anteriormente parceira da petrolífera estatal PDVSA, mas abandonou o país após a nacionalização do setor petrolífero ocorrida entre 2004 e 2007 durante o governo de Hugo Chávez. Desde então, tem procurado compensação através de processos de arbitragem internacional.
Reação do mercado
A divulgação dos resultados teve impacto imediato na cotação da empresa.
- Queda das ações: cerca de 2,5% durante a sessão após o anúncio
A reação reflete sobretudo a combinação entre resultados abaixo das expectativas e preocupações persistentes com a evolução dos preços do petróleo.
Conclusão
Os resultados do quarto trimestre da ConocoPhillips ilustram os desafios enfrentados por produtores independentes num ambiente de preços do petróleo mais fracos. A queda do preço médio realizado teve impacto direto na rentabilidade, apesar do crescimento da produção.
A resposta estratégica da empresa assenta em três pilares principais: redução de custos, racionalização do portefólio e manutenção de retornos atrativos para os acionistas. O programa de corte de 1 mil milhão de dólares em despesas em 2026, aliado à continuação do plano de desinvestimentos, deverá contribuir para reforçar a disciplina financeira num contexto de mercado ainda incerto.
A evolução dos preços do crude ao longo de 2026 será determinante para avaliar se estas medidas serão suficientes para acelerar a geração de free cash flow e sustentar a política de retorno ao acionista, mantendo simultaneamente a trajetória de crescimento da produção.
Visite o Disclaimer para mais informações.
Os valores encontram-se em sistema métrico europeu.
(Artigo sobre os Earnings (Resulatdos) da ConocoPhillips, formato “News”, atualizado com informações até 07 de Março de 2026. Categoria: Energia. Classe de Ativos: Ações. Tags: Acionista, ConocoPhillips, Petrolífera, Petróleo, EUA, Energia)