Israel: Banco Central antecipa ciclo de cortes num contexto de desinflação, apreciação cambial e normalização do risco
Aqui pode acompanhar os últimos desenvolvimentos relacionadas com a Política Monetária do Banco de Israel. Acompanhamos de forma contínua os desenvolvimentos mais relevantes que impactam esta economia e mundo com as políticas, consolidamos os pontos essenciais num formato que oferece uma visão clara, objetiva e alinhada com a nossa análise.
Strategic Highlights – 05 janeiro 2026
- O Bank of Israel cortou inesperadamente a taxa diretora em 25 pb, de 4,25% para 4,00%, marcando o segundo corte consecutivo após novembro.
- A decisão foi sustentada por uma inflação de 2,4% em novembro, já dentro do intervalo-alvo de 1%–3%, e por uma melhoria clara do enquadramento inflacionista após o cessar-fogo em Gaza.
- O banco central definiu como cenário base uma taxa de 3,5% até ao final de 2026, implicando mais dois cortes de 25 pb.
- A apreciação do shekel para máximos de quatro anos face ao dólar e a queda do prémio de risco para níveis próximos do pré-guerra reforçaram a margem para aliviar a política monetária.
- Persistem riscos fiscais e políticos, com o governador a alertar que o défice projetado de 3,9% do PIB para 2026 é elevado e dependente da aprovação do orçamento e da estabilidade geopolítica.
Nota de Contexto
O Bank of Israel é responsável pela política monetária de uma economia pequena, aberta e altamente sensível a choques geopolíticos e cambiais. A taxa de juro é um instrumento central não apenas para controlar a inflação, mas também para estabilizar o shekel, que tem impacto direto nos preços internos. Desde o início do conflito em Gaza, a política monetária esteve condicionada por restrições do lado da oferta, tensão no mercado de trabalho e um prémio de risco elevado, fatores que começaram a dissipar-se após o cessar-fogo alcançado em outubro de 2025.
Decisão surpresa e mudança no enquadramento monetário
A 5 janeiro 2026, o Bank of Israel surpreendeu o consenso ao reduzir a taxa de juro de referência em 25 pontos base, quando 9 em 10 economistas consultados antecipavam uma manutenção. Este movimento sucedeu ao primeiro corte em quase dois anos realizado em novembro de 2025, confirmando uma inflexão mais rápida do que o esperado na postura monetária.
O governador Amir Yaron sublinhou que, apesar de dois cortes consecutivos, o banco continuará prudente e dependente dos dados, mas deixou uma sinalização clara ao mercado ao afirmar que o cenário central aponta para uma taxa de 3,5% ao longo de 2026.
Inflação: regresso ao intervalo-alvo e expectativas ancoradas
O principal fator por detrás da decisão foi a evolução da inflação:
- Inflação homóloga de 2,4% em novembro, já dentro do intervalo-alvo oficial (1%–3%).
- Declínio das expectativas de inflação implícitas no mercado obrigacionista.
- Expectativa de uma subida temporária em dezembro, seguida de uma convergência para cerca do ponto médio do intervalo-alvo.
Segundo o banco central, o fim da guerra em Gaza reduziu de forma significativa as restrições de oferta que tinham pressionado os preços durante cerca de dois anos, alterando estruturalmente o enquadramento inflacionista.
Câmbio e prémio de risco como facilitadores do corte
Outro elemento decisivo foi o comportamento do câmbio:
- O shekel valorizou 0,8% no dia da decisão, negociando em 3,157 por dólar, o nível mais forte desde dezembro de 2021.
- A apreciação cambial atua como travão adicional à inflação importada, reforçando a margem para cortes de taxas.
Em paralelo, Yaron destacou que o prémio de risco de Israel regressou a níveis próximos do pré-guerra, refletindo maior confiança dos investidores após o cessar-fogo e a normalização gradual da atividade económica.
Mercado de trabalho e crescimento: normalização gradual
Apesar de o mercado de trabalho permanecer apertado, o banco central identificou:
- Sinais de moderação nas restrições de oferta laboral.
- Menor pressão estrutural sobre salários e preços.
Nas projeções atualizadas:
- Crescimento económico de 5,2% em 2026, após 2,8% em 2025, ano penalizado pelo conflito.
- Inflação projetada de 1,7% no próximo ano, abaixo do centro do intervalo-alvo, reforçando a narrativa de desinflação sustentada.
Risco fiscal e incerteza política como contrapeso
Apesar do tom mais construtivo, o banco central manteve um discurso cauteloso sobre a política orçamental:
- O défice previsto de 3,9% do PIB para 2026 foi classificado como demasiado elevado.
- A sua concretização depende de:
- Aprovação do orçamento de 2026, ainda incerta devido a conflitos políticos internos.
- Ausência de novos desenvolvimentos geopolíticos que exijam aumento adicional da despesa em defesa.
- Concretização das assunções de receita previstas.
O governador alertou que a não aprovação do orçamento até ao final de março poderá desencadear novas eleições, reintroduzindo volatilidade política e potencial pressão sobre ativos financeiros.
Reação dos mercados
A decisão foi bem recebida pelos mercados financeiros:
- Bolsa de Telavive subiu até 1,6%.
- O fortalecimento do shekel confirmou a leitura de que o corte não foi interpretado como um sinal de fragilidade macro, mas sim como reflexo de maior estabilidade.
Conclusão
O corte inesperado do Bank of Israel assinala uma mudança clara de regime após quase dois anos de política monetária restritiva, sustentada por desinflação efetiva, apreciação cambial e normalização do risco geopolítico. A sinalização de uma taxa diretora em 3,5% até ao final de 2026 posiciona Israel entre os bancos centrais mais avançados no ciclo de alívio monetário.
No entanto, este movimento permanece condicional: a trajetória de cortes depende da consolidação da paz, da disciplina fiscal e da estabilidade política interna. Para os investidores, o enquadramento é construtivo no curto prazo, mas continua a exigir uma leitura atenta do risco político e orçamental, que pode rapidamente voltar a influenciar o prémio exigido aos ativos israelitas.
Visite o Disclaimer para mais informações.
Os valores encontram-se em sistema métrico europeu.
(Artigo sobre a Política Monetária de Israel (BoI), formato “Geral”, atualizado com informações até 05 de Janeiro de 2026. Categorias: Bancos Centrais. Tags: Política Monetária, BoI, Banco Central, Taxa de Juro, Israel)