UPS Earnings, News – 20 Jan 26

UPS em reconfiguração estrutural: recuperação de margens, risco operacional e nova pressão competitiva no last-mile


Aqui pode acompanhar as últimas informações relacionadas com a UPS. Acompanhamos de forma contínua os desenvolvimentos mais relevantes que impactam esta empresa e consolidamos os pontos essenciais num formato que oferece uma visão clara, objetiva e alinhada com a nossa análise.


Strategic Highlights – 14 Janeiro 2026

  • A UPS superou expectativas de resultados no 3.º trimestre de 2025, sinalizando progressos iniciais na maior reestruturação da sua história, apesar de uma queda de 12,3% nos volumes médios diários.
  • A empresa está a executar um plano de redução de custos de 3,5 mil milhões de dólares em 2025, que já implicou o corte de 48 000 postos de trabalho e o encerramento de 93 instalações.
  • A redução deliberada da exposição à Amazon, o maior cliente da UPS, continua a pesar nos volumes, mas melhora o perfil de rentabilidade por encomenda.
  • O acidente fatal com um MD-11 em novembro introduziu um novo vetor de risco operacional e regulatório, após a NTSB confirmar que a peça crítica já tinha sido sinalizada pela Boeing em 2011.
  • O enquadramento competitivo agravou-se com a US Postal Service a procurar monetizar agressivamente o last-mile, criando pressão estrutural adicional sobre margens no segmento doméstico.

Nota de Contexto

A United Parcel Service (UPS) é o maior operador mundial de entregas expresso e logística integrada, funcionando como um barómetro da atividade económica global. O seu modelo combina uma rede aérea e terrestre altamente intensiva em capital com uma força de trabalho maioritariamente sindicalizada nos EUA. Após o pico pandémico, a empresa entrou num ciclo de ajustamento profundo, marcado pela normalização do comércio eletrónico, mudanças na política comercial norte-americana e pelo fim do regime de minimis para importações de baixo valor, que penalizou volumes transfronteiriços.

Resultados do 3.º trimestre: recuperação de rentabilidade num contexto adverso

No 3.º trimestre de 2025 (trimestre civil), a UPS apresentou um EPS ajustado de 1,74 dólares, claramente acima do consenso de 1,30 dólares, e receitas de 21,4 mil milhões de dólares, também superiores às expectativas. A margem operacional ajustada subiu para 10%, face a 8,8% no trimestre anterior, confirmando que a disciplina de preços e o controlo de custos começaram a produzir efeitos.

Este desempenho foi alcançado apesar de um ambiente operacional difícil:

  • Volumes médios diários caíram 12,3% em termos homólogos.
  • A receita por encomenda aumentou 9,8%, refletindo uma estratégia consciente de privilegiar qualidade e margem sobre volume.

O segmento doméstico norte-americano, ainda o maior da empresa, registou uma margem operacional de 6,4%, abaixo dos 7% do trimestre anterior, evidenciando que a recuperação é desigual e ainda frágil.

Reestruturação histórica: menos volume, mais eficiência

A UPS encontra-se a executar o maior plano de reestruturação da sua história, com o objetivo explícito de reduzir 3,5 mil milhões de dólares em custos em 2025. As medidas já implementadas incluem:

  • 48 000 postos de trabalho eliminados face ao ano anterior.
  • 93 instalações encerradas.
  • Redimensionamento da rede aérea e terrestre.

Um dos movimentos mais relevantes foi a redução autoimposta dos volumes da Amazon, o maior cliente da UPS. Embora esta decisão tenha agravado a contração de volumes, contribuiu para melhorar o mix de receitas e reduzir a dependência de contratos de baixa margem. A mensagem estratégica é clara: a UPS está disposta a sacrificar escala para recuperar rentabilidade estrutural.

Risco operacional: o acidente com o MD-11 e implicações regulatórias

O acidente fatal com um avião de carga MD-11 da UPS em novembro de 2025, que causou 15 vítimas mortais, tornou-se um fator adicional de risco. Em 14 janeiro 2026, a NTSB revelou que a peça estrutural fissurada envolvida no acidente já tinha sido identificada num alerta da Boeing em 2011, embora não classificada, na altura, como um problema crítico de segurança de voo.

Esta revelação levanta várias implicações:

  • Aumento do escrutínio regulatório sobre a frota MD-11.
  • Potencial revisão de protocolos de inspeção e manutenção, com impacto em custos.
  • Risco reputacional num setor onde fiabilidade e segurança são ativos centrais.

Mesmo que o impacto financeiro direto seja limitado no curto prazo, o episódio introduz incerteza adicional num momento em que a UPS procura estabilizar a sua base operacional.

Pressão competitiva no last-mile: o papel da USPS

O enquadramento setorial tornou-se mais exigente com a estratégia da US Postal Service (USPS) de monetizar agressivamente a sua rede de last-mile delivery. Perante o risco de ficar sem caixa já no início de 2027, a USPS está a abrir capacidade a grandes retalhistas e operadores logísticos, procurando aumentar receitas para além dos atuais 5,5–6 mil milhões de dólares.

Para a UPS, isto representa:

  • Maior concorrência no segmento doméstico de última milha, tradicionalmente intensivo em custos.
  • Pressão adicional sobre preços, num contexto em que as margens ainda estão em recuperação.
  • Um risco estrutural, dado que a USPS opera com objetivos financeiros e políticos distintos dos operadores privados.

Perceção de mercado: prudência construtiva

Apesar dos riscos, a leitura do mercado tornou-se menos negativa no início de 2026. A Bank of America reviu a recomendação sobre a UPS de “underperform” para “neutral”, elevando o preço-alvo para 114 dólares. A justificação assenta na execução consistente do plano de redução de custos, no encerramento de centros de serviço e na utilização de inteligência artificial para aumentar a densidade da rede.

Esta revisão não sinaliza ainda uma tese claramente otimista, mas sugere que o mercado reconhece progressos tangíveis na disciplina operacional.

Conclusão

A UPS entra em 2026 numa fase de transição crítica. Os resultados do 3.º trimestre confirmam que a estratégia de menos volume e mais margem começa a funcionar, apoiada por uma reestruturação profunda e dolorosa. No entanto, o caminho permanece estreito: o risco operacional associado ao acidente com o MD-11, a pressão competitiva no last-mile e a fragilidade da procura global continuam a limitar a visibilidade.

O caso da UPS deixou de ser apenas um ciclo de recuperação pós-pandemia e passou a ser um teste à capacidade da empresa em redesenhar estruturalmente o seu modelo, preservando rentabilidade num setor cada vez mais competitivo e politicamente sensível. Os próximos trimestres serão decisivos para perceber se a recuperação observada é sustentável ou apenas um alívio temporário num processo de ajustamento ainda incompleto.


Visite o Disclaimer para mais informações.

Os valores encontram-se em sistema métrico europeu.

(Artigo sobre os Earnings (Resultados) da UPS, formato “News”, atualizado com informações até 14 de Janeiro de 2026. Categoria: Transporte. Classe de Ativos: Ações. Tags: Acionista, UPS, Transporte, EUA)

Avatar photo
About The Investment - Team 3451 Articles
A The Investment Team é a equipa editorial responsável pela coordenação e publicação dos conteúdos do The Investment. Saiba mais em theinvestment.pt/the-investment-team/